sábado, 22 de agosto de 2015

Poemas

(  Bilhete )

Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...

(  DO AMOROSO ESQUECIMENTO )

Eu, agora - que desfecho!
Já nem penso mais em ti...
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?

(  DAS UTOPIAS  )

Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!

( AS INDAGAÇÕES )

A resposta certa, não importa nada: o essencial é que as perguntas estejam certas.

( DA OBSERVAÇÃO )

Não te irrita  ,  por mais que te fizerem...
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
Teu mais amável e sutil recreio...

( DA FELICIDADE )

Quantas vezes a gente, em busca da ventura,
Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão, por toda parte, os óculos procura
Tendo-os na ponta do nariz !

( DA DISCRIÇÃO )

Não te abras com teu amigo
Que ele um outro amigo tem.
E o amigo do teu amigo
Possui amigos também...

( POEMINHA  DO CONTRA )

Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!

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